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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Relato Caminho da Luz

"Os mistérios não podem ser revelados de uma só vez. Como o fluido da vida, devem ser recebidos gota a gota e, assim, bebidos no cálice sagrado do tempo. Caso contrário, diluem-se como o éter, deixando de mostrar-nos sua essência e de guiar-nos no Caminho da Luz."

Relato Caminho da Luz
12 de Setembro de 2004 até 24 de Setembro de 2004
O que é Caminho da Luz?
São 195 KM andando a pé, de bicicleta ou de cavalo. Saindo de Tombos – MG até o Pico da Bandeira, passando por Catuné, Água Santa, Jacutinga, Pedra Dourada, Faria Lemos, Carangola, Caiana, Espera Feliz, Caparaó e Alto Caparaó.
O caminho é todo demarcado por setas amarelas, passando na maioria por estradas vicinais.
Compensa fazer o caminho de bicicleta, para quem tem pouco tempo.
Em Tombos, os Caminhantes da Luz, compram um livro guia e uma credencial.
O Livro Guia é uma Obra Maravilhosa, que tem informações de todo o caminho e um ótimo mapa do Caminho, com detalhes a cada 2 km.
Algumas frases e pensamentos, que colocarei neste relato, são tirados desta obra do Albino Neves, que foi o fundador do caminho.
A Credencial é carimbada a cada noite nas Pousadas Credenciadas.
No final do caminho, recebemos um certificado de conclusão do percurso.
O que Levei na Mochila?
"O Primeiro ensinamento que recebemos em uma peregrinação é que, quanto mais temos, quanto mais peso carregamos, mais sofremos, mais nos desgastamos e, desta forma, menos desfrutamos as belezas e prazeres da natureza."
Para quem for fazer a pé, segue a minha logística, para basear-se.
. Mochila Curtlo 45 Litros
. 2 camisas de PETDry (Solo). Foram usadas para a caminhada.
. 2 camisas de algodão. Essas foram usadas para ficar na cidade.
. Pijama. Dormir Fedido nem Rola, por isso levei meu pijama.
. 2 calças de Suplex. Usadas para a caminhada e na cidade (Nem fediam, eu acho!)
. 1 Blusa de Fleece (Solo). Para o friu, mas nem usei (É melhor Garantir).
. 7 Cuecas. Nem rola lavar Cueca, demora para secar.
. Kit Primeiro Socorros. Com agulha, linha, Dorflex (De Lei!), Anador, Engov (nunca se sabe!), Cataflan, Imosec, Tesourinha, Faixas, etc.
. Canivete
. Hidrosteril
. 3 pares de Meia.
. 1 par de Chinelos Havaianas.
. Kit Belezura. Pente, Sabonete, Xampu, Desodorante.
. Toalha Super Absorvente. Essa vale a pena, vende na maioria das lojas de esportes. É compacta, não precisa secar e absorve tudo.
. Bastão de Caminhada Kailash. Maior decepção, quebrou no meio do caminho (Nota 0!). Resumindo, é o segundo bastão meu que quebra em trip, melhor levar um cabo de vassoura.
. HeadLamp
. 10 barras de cereais.
. Hidratação Camel da Curtlo. Não sei se usei essa p$$##!! certo, mas vazou muita água pelo cano.
. 1 Squeeze.
. 1 Jaqueta Anorak Storm.
. 1 Boné de Suplex.
. Protetor Solar fator 50 (Indispensável).
. 1 Bota de Caminhada.
. Capa de Proteção da Mochila.
. Maquina Fotográfica.
. Caneta.
. Celular.
. Papel Higiênico.
. Pázinha.
OBS.: Tudo embalado no Saco Plástico.
Gastos:
No livro do Albino, Caminho da Luz – O Caminho do Brasil, o gasto para fazer a trilha é de R$ 20,00 a 30,00 por dia.
Eu acabei gastando R$ 700 no total, ficando 12 dias percorrendo o caminho.
12 de Setembro de 2004
São Paulo – Tombos (600KM)
Sai da rodoviária do Tietê as 19:05.
É um ônibus da viação Itapemirim, convencional ( R$ 64,05 ).
Não tem ônibus direto para Tombos, por isso é necessário ir até Carangola e de lá pegar um circular até Tombos.
O ônibus é aquele famoso Pinga-Pinga, sendo a viagem de São Paulo a Carangola mais cansativa que todo o Caminho da Luz.
Demorou um pouco para sair de São Paulo, pois encrencaram com um passageiro que estava querendo levar a casa para Carangola, com várias caixas de papelão, não deixaram ele embarcar.
Foi aquele quebra pau, o passageiro xingando o motorista de ladrão e outras coisas a mais.
Durante a viagem consegui dormir um pouco, sorte a minha que o lugar ao lado ficou vago, mas a cada parada, o maldito motorista acendia a Luz. Acordava a cada parada e no meio da viagem, a porta do banheiro estava batendo, ninguém conseguia fechar a bendita porta. Era normal no meio da viagem, algum passageiro revoltar-se e levantar e começar a dar bicuda na porta, na tentativa de fechá-la.
Teve uma parada, no meio da madrugada, que desci para ir ao Banheiro. Quando volto, cadê o ônibus? Fiquei desesperado! Contudo, um casal vendo o meu desespero, falou que era normal o ônibus sair para ir lavar os banheiros. Depois de 10 minutos volta o ônibus.
13 de Setembro de 2004
Carangola – Tombos
Cheguei em Carangola as 8h10mim.
A primeira impressão da cidade é a simplicidade e hospitabilidade do povo, uma característica predominante em toda a região.
Carangola é a maior cidade da região, com os seus 40 mil habitantes. Neste primeiro dia, não deu para conhecer a cidade. O ônibus para Tombos iria sair as 9 horas (para maiores informações de horários, verificar no site oficial do caminho). Passei o tempo todo na rodoviária. A condução para Tombos é da empresa Real, o ônibus é ótimo, até melhor que o da Itapemirim. Sai direto da rodoviária, tem o bagageiro para colocar o mala-bike. Confortável e com ar condicionado, nem é como o circular que estamos acostumados. (R$ 3,10 a passagem).

Tombos

"A euforia leva-nos a uma satisfação momentânea; a consciência, a uma satisfação permanente."

Cheguei em Tombos as 10h20mim.
A cidade de Tombos é linda. Toda arborizada, limpinha, bem planejada, com um povo bem bonito e simpático. Eu moraria lá, certamente. A rodoviária de Tombos é bem bonita, fica bem no centro da cidade (que não é muito grande), com uma arquitetura antiga e bem conservada.
Como estava de férias forçadas, tinha muito tempo disponível para concluir o caminho e queria curtir tudo ao máximo.
Com uma noite bem mal dormida, estava completamente acabado.
Em meus planos já estava considerado passar uma noite em Tombos, para descansar, visto em conta meu estado deplorável, a estadia de 1 dia foi necessária.
Temos 2 ótimas opções de hotel. O hotel centenário Serpa e o Tombos Colonial Hotel.
Eu preferi o Colonial, pois fui cativado com o atendimento, além de a estrutura ser bem mais nova e os quartos mais confortáveis (avisar que você é caminhante da luz, tem desconto) a diferença de preço com o Serpa não é tão grande, ainda estava precisando de um lugar bem confortável para descansar (R$22,00 com café da manhã).
Contudo, recomendo ficar no Serpa é mais tradicional e mais barato (R$15,00 com café da manhã).
Depois de hospedado, fui na pousada Serpa adquirir o livro "Caminho da Luz – O Caminho do Brasil" e a credencial, assinei a inscrição falando que sou apto para realizar o caminho e responsável pelos meus atos, além de fornecer dados de contato para caso houver um resgate.
O Valor do Livro e da Credencial é de R$15,00, o valor é revertido para a ABRALUZ, a associação que ajuda a manter a marcação do caminho.
Informaram-me que eu era o único caminhante naquele mês, então, amigos, era eu e Deus no caminho.
Sai na cidade para conhecer o início do caminho. Começa na cachoeira de Tombos, a 5ª maior queda de água do país. Infelizmente, como estava em uma época de sem chuvas, a cachoeira estava seca. Mas mesmo assim, é linda.
Abaixo da cachoeira, fica a usina hidrelétrica, que alimenta a cidade de Tombos e outras cidades da região.
Para chegar na cachoeira, o acesso é logo atrás a igreja matriz da cidade. Pegando uma trilha a esquerda a Placa do Caminho da Luz.

Descendo até a Usina Hidrelétrica, onde tem uma enorme placa "Aqui inicia o Caminho da Luz!", neste local é a marcação 0 da caminhada.
Eu já resolvi descer a trilha para a cachoeira no primeiro dia, pois o caminho para Catuné (2º Pernoite) passa pela frente do Hotel. Assim, ganharia tempo na minha investida no dia seguinte.
Para o pessoal que for de bike, é complicado chegar lá de bicicleta. Pois é uma pirambeira geral, mas como a galera gosta de uma aventura, vale arriscar.
Almocei e Jantei no melhor restaurante da cidade (acredito ser o único), o nome é assustador, mas a comida é ótima. Restaurante Haloween Disco, tel.: (32) 3751-2354, R$ 5,00 self service.
No Hotel, me lembrei de uma Dica do Cristiano Requião, na lista da EcoDicas, e pedi para o pessoal colocar o meu Squeeze com água no congelador, para poder tomar água gelada na Trilha (olha que luxo).
Antes das 21 horas, já estava na cama, com a intenção de acordar as 5:30 para tomar café e pé na estrada.

14 de Setembro de 2004
Tombos – Catuné (24,700 KM)
Acordei no horário combinado, tomei um café da manhã reforçado.
Peguei uma banana e maça no café, para comer na trilha.
Sai do hotel, cruzando a cidade na rua principal até a prefeitura, onde desci pegando a esquerda (sempre as setas amarelas demarcando).
Depois de andar 2km já estava na estrada de chão. No caminho não tem água, por isso tem que sair abastecido da pousada. É possível pedir água para o pessoal das casas na roça, sempre estão dispostos a ajudar o caminhante.
A maioria do caminho é reta, em uma estrada vicinal.
Depois de andar 13km, passando pela mata, cheguei na casa da Dona Francisca. Uma figura conhecida dos caminhantes. Sempre recebe a todos no meio do caminho com um sorriso e querendo papear.
Em Catuné, me falaram que ela é muito querida por todos os caminhantes e que estava toda feliz, pois colocaram luz elétrica na casa dela. Alguns caminhantes que voltaram para fazer o percurso, levaram mantimentos e até uma televisão para ela.
Depois de 19 km andados, as placas indicam para fazer uma travessia na cerca, nesta parte, é melhor os ciclistas seguirem a estrada de chão e para o pessoal a pé atravessar a cerca, seguindo por uma trilha de mata fechada.
Parei para almoçar, as 11 hrs, abaixo de uma enorme arvore.
Comi a banana, maça e uma barra de cereal.
Misturei o Squeeze com água quente... Resultou uma maravilhosa água gelada, que aguentou até Catuné.
Depois de 22km andados, chegamos na Gruta da Pedra Santa.
Simplesmente é Linda. Um ótimo lugar para descansar e apreciar essa magnífica e mística gruta.
A lenda fala, que nesta gruta aconteceram diversos milagres. Onde, antigamente, era um esconderijo de escravos. Tem relatos que os escravos avistaram a imagem de nossa senhora no cume da Pedra.
Falam que costumam ouvir barulho de pessoas dentro da Gruta, mesmo estando vazia. Um grupo de caminhantes rezaram dentro da gruta, depois sentiram um cheiro de rosas em suas mãos. O maior enigma da Gruta da Pedra Santa é que as pedras caem de seu teto e laterais, fazendo com que a mesma aumente de tamanho, caem e desaparecem sem que ninguém veja. Fiquei um bom tempo na Gruta, onde internamente tem um altar de madeira que abriga a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, protetora dos enfermos, a qual é a padroeira da gruta. Levei uma cartinha, que minha mãe pediu para colocar no altar. Um bom tempo descansando na Gruta, chega um rapaz com moto, onde conversei bastante tempo com ele. Eu estava com muito tempo, visto que já estava bem perto de Catuné e eram 12:50. Ele entrou na Gruta e fiquei lá fora tomando Água Gelada. Quando volto para me despedir do moço, percebo aquele forte cheiro de maconha. Em Catuné, me falaram que os moradores locais têm medo de freqüentar a Gruta, pois vão várias pessoas para dar a "Pitada" e usam a Gruta como Motel. Cada um curte da sua forma a Gruta.
Saindo da Gruta, depois de 20 minutos de caminhada na descida, chega-se a Catuné.
Catuné
"A simplicidade dos que habitam as margens do Caminho faz o caminhante relembrar princípios há muito tempo esquecidos, que nada violam espaços ou ultrapassam as barreiras da moral e dos bons costumes e que, por assim serem, raramente geram conflitos ou desentendimentos."
Cheguei em Catuné as 14hrs.
Um distrito de Tombos, com aproximadamente 1.500 habitantes.
Em Catuné não existe Pousada, Hotel, Pensão, Camping.
São os habitantes que abrigam os caminhantes. Mesmo não sendo Filho da Terra, te tratam super bem, sempre muito curiosos e simpáticos. Liguei avisando, de São Paulo, para a Dona Rosa - (32) 3751-4044 - que iria me hospedar com ela. Chegando na praça principal, coloquei a minha Mochila no Banco e já veio a dona Rosa para me recepcionar. Ela mora bem na frente da praça, em uma casa verde, com dois andares. No andar de baixo, funciona uma padaria, onde fiquei a maioria do tempo tomando cerveja e conversando com o pessoal da cidade.
Reparava na praça, as crianças chegando da escola e pegando o ônibus para ir para casa. Era aquele ônibus rural, onde de manhã pegava toda a criançada, passando por aquelas estradinhas vicinais, parando na roça. Chegando de noite, a maioria dos jovens pegava as vans para cursar o ensino superior nas cidades maiores.
A noite ficava a maioria da população na Praça, excepcionalmente lotada para uma terça-feira. O povo lá não parecia importar-se para televisão, a noite todos da cidade ficava na praça, conversando. Você não se sente deslocado, no pouco tempo que fiquei lá, senti-me em casa. Puxavam papo, falavam de política, até algumas senhoras queriam apresentar as filhas delas. Eu não estava procurando noiva por lá, eu explicava. Homens, que querem procurar noiva, Catuné é uma boa cidade. Por ter seus mil e poucos habitantes, tem muitas mulheres jovens e bonitas.
Todas ótimas para casar e que não vão te trair, dizia um senhor com um sorriso e com a simplicidade da roça. Ele me explicava sobre a plantação de café, o maior meio de sobrevivência de Catuné. Mostrava o olho lacrimejando, falando que um pedaço de galho tinha acabado de voar e que estava sentindo muita dor. Contei o caso do perrengue que nosso Amigo Luiz sofreu na travessia de Petrópolis a Teresópolis, recomendei o senhor a ir ao Pronto Socorro de Tombos.
Não tem Problema, melhora... Dizia sorrindo. Depois me convidou a tomar uma pinguinha da região.
Para os cachaceiros de plantão, essa região de Minas é rica em alambique. É normal estar caminhando e ver um alambique, experimentei todo tipo de pinga, curtida em todo tido de madeira. Morria de vontade de parar e colocar um litro da mesma na Mochila. Pena que a mesma era pequena e pensava no quilo a mais que tinha que carregar. A dona Rosa fez uma janta especial. Explicava-me que todos os Caminhantes da Luz eram ótimas pessoas e que ninguém causou problema na cidade. Disse a Ela que as pessoas que procuram esse tipo de aventura, são mesmo diferentes e especiais. Mas no fundo fiquei com um pouco de medo de alguém causar algum tipo de problema e trairmos a confiança deste povo. Contava quando tinha as Coletivas. Onde a ABRALUZ juntava de 200 a 300 pessoas para percorrer o caminho. Imaginava a loucura que era para abrigar tantas pessoas em uma cidade tão pequena. Fui em meus aposentos, são 2 quartos pequenos no fundo, bem simples, com duas beliches cada.
Fui dormir cedo, para ir rumo a Pedra Dourada no dia seguinte.
15 de Setembro de 2004
Catuné – Pedra Dourada (19,250 KM)
"Peregrinar é vencer os limites do corpo, aparar as arestas da mente, para lustrar a essência do espírito."
Acordei as 6:30 da manhã. Estava pensando em dormir até tarde, mas não consegui. Como todos os pães eram feitos na casa da Dona Rosa, o movimento já começa de madrugada, sentindo aquele cheiro maravilhoso de pão e de madeira em brasa. O café da manhã com aquele pão quentinho, direto do forno, onde colocava a manteiga e a mesma derretia na hora.
A dona Rosa carimbou a minha credencial, assinei o livro de visitantes, acertei as contas com a Dona Rosa (R$20,00 com janta e café) e passos firmes até Pedra Dourada.
Depois de 6,5 Km de caminhada, não consegui ver a seta amarela que estava escondida no meio da mata, indicando para virar tudo a direita, continuando a subida do Lombo do Burro, acabei seguindo errado, não chegando ao Vale do Silêncio e sim em uma fazenda de café. Voltei e continuei o caminho, perdendo muito tempo. Aprendi a não confiar plenamente nas setas e sim ficar verificando as referências no Mapa do Livro do Caminho, assim ficava sabendo se estava no caminho certo e o quanto faltava para concluir o caminho do dia.
A subida do Lombo do Burro é um pouco pesada, mas depois a visão do Vale do Silêncio compensava. Onde qualquer latido ou barulho, gerava um eco enorme.
Caminhando mais 3 km, chega-se em Água Santa. Também distrito de Tombos, ficou conhecido pela Água que curava as pessoas. Descansei um pouco na Padaria da cidade, bem na praça principal. A senhora da Padaria trouxe Água Congelada, em uma garafinha PET, falando que o marido dela levava para a roça para poder tomar água gelada. Eu babaca me achando malandro com essa de congelar a água. Para chegar na Fonte da Água Santa, é necessário desviar 4 km, como já estava atrasado, nem cheguei a ir à Fonte. Mas a moça falou que a água que estava tomando era da fonte. Eu, já babaca, perguntei para a senhora se a água curava mesmo. Ela me respondeu que dependia do tamanho da minha fé. Fiquei pouco tempo, mas como estava muito calor e seco, pedi uma Itaipava para arrematar a minha sede.
Segui, atravessando a cidade, rumo a Pedra Dourada.
O caminho para Pedra Dourada, não tem muito atrativo. Sempre passando por pequenos assentamentos. Dificilmente vi enormes latifúndios, na maioria eram pequenas propriedades.
Até Pedra Dourada é uma descida.
Pedra Dourada
Cheguei em Pedra Dourada as 16 hrs.

Sempre o caminho acaba na praça principal das cidades.
Chegando, como de lei, jogava a mochila no chão e sentava no banco e ia tirando a bota.
Um senhor que estava cuidando da praça, apontou-me para a pensão da dona Ana. Fica bem na praça principal e a dona Ana colocou uma enorme placa do Caminho da Luz na frente da Pensão.
Uma casa antiga, que de fora parecia bem pequena. Cheguei na janela da casa, tinham dois senhores jogando buraco, perguntei da dona Ana, acordaram a coitadinha que estava dormindo. Ela me recepcionou, logo perguntando por que estava sozinho. Foi no quarto dela pegar o jogo de cama. Eu me perguntando onde iria dormir, era tão pequena a casa dela. Foi me levando aos fundos, passando pela cozinha, quando abriu a porta dos fundos, vi uma enorme estrutura, parecia um grande hotel. Imaginável vendo a casa dela por fora. Disse-me que iria dormir na melhor suíte, falei que não fazia questão. Contudo, ela foi subindo com maior dificuldade as escadas. Levando-me para um apartamento. Fiquei impressionado com a quantidade de quartos e colchões que ela tinha. Falou-me que abrigava todo o pessoal que iria fazer coletivas na casa dela. Quando cheguei no quarto do apartamento, estava o Zezé, sobrinho dela, dormindo na cama. Ela estava tentando acordar o Zezé para sair da cama, foi difícil acordar o marmanjo. Já hospedado, resolvi sair para conhecer a cidade. Aquela coisa de andar uma rua, subir outra e pronto... Conheci a cidade.
Voltei para a Pensão.
Nunca tinha ficado em uma pensão. Achei muito engraçado, várias pessoas morando junto. A parte de baixo estava toda ocupada pelo pessoal da roça que vinha ajudar nos mutirões, todos ficavam hospedados com a Dona Rosa.
O Zezé estava fazendo a comida.
Se for um grupo de 8 ou 9 pessoas, recomendo ligar para a Dona Rosa, avisando.
Convidei ele para depois da janta, irmos tomar uma cerveja junto com um menino que estava hospedado na pensão.
O Zezé como conhecedor de pinga, foi logo pedindo a cachaça da boa para experimentar.
Como ele morou muito tempo no Rio, tem aquele costume de querer sacanear os Paulistas. Então o dono do Buteco, que era cunhado dele, quase a cidade inteira era da família da namorada dele, nos serviu um negócio frito. Falo que é negócio, pois não consegui reconhecer o gosto. Perguntei para o Zezé e o dono do Buteco, que naquelas horas, estava mais bêbado que nós. Não sei o que é, somente fritei, mas era um negocio empanado, muito estranho, dizia o dono do Buteco bem ébrio.
O Senhor Zé, que não podia perder a oportunidade, perguntou se eu já tinha comido cobra, que aquilo era cobra.
Nunca comi cobra, mas aquilo tava até parecendo peixe, o duro que não tinha encontrado espinho naqueles filés fartos.
Não me dei de convencido, ainda mais se era o Zé que tava contando esse papo.
Então pergunte para o dono da Farmácia, dizia o Zé já vencido pela cachaça e fumando um cigarro de palha.
Perguntei para o dono da Farmácia, uns 5 metros depois do buteco e o mesmo confirmou a estória bizarra do Zé.
Ainda fomos tomar uma cachaça do alambique de Pedra Dourada, que o farmacêutico guardava debaixo do balcão, junto com dois copinhos. Perguntei-me como o farmacêutico conseguia aplicar injeção depois de tomar as malditas.
O mesmo saiu correndo depois, para poder aplicar glicose em uma menina de 11 anos que encheu a cara com as amiguinhas.
Depois dessas fui dormir tarde, bêbado.
Pensando como iria conseguir caminhar até Faria Lemos no dia seguinte.
16 de Setembro de 2004
Pedra Dourada – Faria Lemos (25,200 KM)
"O Homem está e vive onde estão seus pensamentos, palavras e ações."

Acordei 7 horas da manhã, com o gosto maldito de cachaça e uma dor de cabeça enorme. Tomei aquele banho e desci para o café da manhã.
O Zezé e a Dona Ana já estavam lá embaixo. Perguntei a Dona Ana se era normal o Zé servir cobra para o visitante. Ela ria de mim, tirando do congelador uns filés de traíra. Não sei como ele conseguia cortar o filé de traíra sem os espinhos. Fiz um pão com mortadela, queijo, peguei banana e maça. Como de tradição, a Dona Ana sempre lê um pedaço da bíblia para os caminhantes, antes da saída. A comunidade Católica de Pedra Dourada está arrecadando fundos para terminar a reforma da igreja, que é linda. Ajudei com R$5,00.
Fechei a conta com a Dona Ana, que foram R$20,00, com café e janta.
Depois de 400m, já estava subindo na estrada de chão. Sempre avistando ao lado a Pedra Dourada, este grande rochoso ganhou esse nome por um fenômeno que acontece quando as luzes do Sol batem diretamente nela, refletindo a luz e dando a aparência que ela é dourada.
Subi 2,9km com companhia, era um moço que iria trabalhar em um sitio. Contava-me que em dias abertos, escalando a Pedra Dourada, era possível ver o Dedo de Deus no Rio de Janeiro. Também me disse que no começo o pessoal da região tinha medo dos Caminhantes da Luz, mas o Albino fez um excelente trabalho de conscientização. Depois de andar 11,8km, chega-se na cachoeira Surpresa. Uma linda cachoeira, pena que estava com pouco volume de água. Contudo passei um bom tempo descansando e tomando água. Tinha percebido pela urina que estava bem desidratado, graças a cachaçada do dia anterior.
Alguns carros passavam no caminho, paravam me ofereciam carona, sempre explicava que estava peregrinando a pé e agradecia a carona.
Outros passavam em alta velocidade e levantavam muita poeira, como estava muito seco, sempre comia muita poeira. Isso foi uma constante no caminho todo. É recomendável sempre andar no canto das pistas, pois os carros passam correndo e não é fácil frear naquelas estradinhas, assim evitando acidentes.
Depois de andar 21,5km, chegamos no trevo de Faria Lemos. Este pedaço é muito chato, pois temos que andar 4 km em asfalto até chegar na praça de Faria Lemos.
Faria Lemos
"A luz faz-se presente no céu de quem a procura; as trevas também. Nós é que determinamos para que lado queremos caminhar durante as nossas vidas."
Cheguei em Faria Lemos as 17:30.
Na bonita praça principal da cidade, procurei saber onde fica o Hotel Ventura.
Fica a 600m da praça, abaixo do Hotel é um supermercado que o mesmo dono é o do Hotel.
Depois de hospedado, fui comer no restaurante Feijão sem Bicho. É um restaurante tradicional da Região. Recomendo ligar de Pedra Dourada para o dono do restaurante, avisando que irá comer uma moqueca de cascudo, parece ótima.
Infelizmente, como não tinha reservado, tive que comer o prato comercial, que estava ótimo. Faria Lemos é uma cidade calma, mas na época de eleições estava completamente agitada. Uma grande diferença que percebi nessas cidades que passei foi a política. Neste ano de eleições municipais todas as cidades estavam agitadas. A cada minuto era um carro de som passando, com paródias de músicas, até bicicletas com caixa de som era normal ver passando.
Os moradores defendiam seus políticos como nós defendemos time de futebol.
Ainda, me falaram que era normal sair briga para defender os seus candidatos.
Como estava muito cansado, andei muito pouco por Faria Lemos.
Fui dormir cedo para no dia seguinte caminhar até Carangola.
17 de Setembro de 2004
Faria Lemos – Carangola (22,8km)
"A paz traz a tranqüilidade; a luz, a proximidade com Deus."
Acordei as 6:50 e fui tomar o café da manhã.
Como sempre, peguei Banana e Maça. Acertei a conta com o Hotel (R$15,00 com café) e pé na estrada.
Depois de andar 2,5km, passamos pela fazendo Boa Esperança, que era do coronel Novaes. Este coronel fez atrocidades nesta região, onde seus jagunços chegaram a matar todos os policiais que iriram prender o coronel e mandaram os corpos em uma carroça para a cidade.
Depois de andar 10km, começamos a subir a serra dos Cristais, pela Estrada dos Cristais. Esta estrada é muito interessante e cansativa, pois sempre vamos pisando em cima de pequenos cristais.
Andando mais 10km, chegamos no Horto, onde percebemos que o caminho do dia seguinte também passa por aqui. Entrando na cidade, percebo já a diferença de estar em uma cidade maior. Como a correria do povo, o comercio, a pobreza.
Carangola
Cheguei na praça principal de Carangola às 16 horas, logo vemos o hotel bem na frente. Fiquei no Hotel Gram Palace, achei o hotel péssimo e caro. Por isso recomendo para quem chegar com tempo e disposição, verificar os outros hotéis na cidade.
Depois de mal hospedado, fui em um Cyber Café matar a minha saudade de Internet (R$ 1,50 a hora).
O difícil foi achar um lugar bacana para comer, por isso não tenho nenhuma recomendação.
Contudo, não comem pizza lá. Pensei que seria uma pizza em forno a lenha, mas na verdade são aquelas que você compra a massa pronta no Extra e enfia no forno.
Contudo, tem um barzinho de madeira bem perto do Hotel na rua principal, que é muito bacana.
Como estava morrendo de saudades de ouvir um rock, lá tem uns DVDs de primeira. Fiquei impressionado na quantidade de bebidas que eles tem lá. Tudo de primeira qualidade. Além de ser um pessoal bem jovem que freqüenta lá.
Fui dormir lá pelas 23 hrs.

18 de Setembro de 2004
C
arangola – Espera Feliz (33,300KM)
"Se a vida não fosse mutável, seria monótono viver."
Acordei bem cedo, 5 horas, pois até Espera Feliz iria ser um dia puxado. Ainda, já estava totalmente esgotado.
Desci na recepção, carimbei a credencial, fiz um lanche e peguei as bananas e maça, acertei a conta (R$30,00 c/ café) e passos firmes até Espera Feliz.
Este é o dia mais bonito de caminhada, pois chegando no alto da Serra de Caiana, saímos da estrada e entramos em uma trilha de mata fechada, até a antiga estação de Ernestina. Quem não quiser encarar essa entrada no Mato, é só seguir reto a estrada, mas não recomendo, pois a parte mais bonita é este trecho. Para o pessoal de Bike, dá para fazer sossegado, se tiver paciência e espírito de aventura. É só reta, andando pela crista da Serra.
Entrando na mata, tem uma ótima e bonita fonte de água (Fonte de Santa Clara).
Logo depois passamos pela casa do eremita José Maurino e seguimos passando pelo maravilhoso Túnel de Pedra.
O nosso amigo Marcelo Gibson me avisou para tomar cuidado com os Jacus no meio do caminho, que eles saem do mato e quase te matam do coração.
Como já estava preparado psicologicamente, eles nem me assustaram. Mas os bichos pulam do meio do mato mesmo.
Uma coisa muito interessante são os Cortes de Pedras que caem água da raiz da samambaia. Foram 4 horas no meio do mato, mas a visão é linda.
Saindo do mato, começa uma descida até Caiana. Uma cidade pequena, mas agitadíssima, com muitos botecos e carros parados com som. Parei para tomar água em uma padaria e segui correndo rumo a Espera Feliz.
Espera Feliz
Cheguei em Espera Feliz as 16hrs.
Uma das cidades mais bonitas e simpáticas da região.
Fiquei em um excelente Hotel, Hotel Pico da Bandeira. Muito confortável e com um atendimento nota 10.
Depois de Hospedado e de tomar um ótimo banho e dormir um pouco. Sai as 19 horas para conhecer a cidade e poder jantar.
Jantei em uma ótima pizzaria, AeroPizza.
Espera Feliz tem esse nome por que os tropeiros e aventureiros ficavam esperando os cavalos se recuperarem.
Como gostei muito da cidade, resolvi ficar um dia para descansar. Sai com a minha famosa camisa laranja, companheira de quase todas as trilhas. Percebi que tinha muitas pessoas na cidade usando camisa laranja. Passava uma moçada gritando para mim: "Ae 45! Ae 45!"
No AeroPizza, a simpática atendente tinha falado para mim que era por que iria estar tendo um comício em uma chácara perto da cidade, onde todos teriam que ir com camisa laranja que era a cor do partido do Prefeito.
A cidade de noite esvaziou, não via nenhuma viva alma. Todos tinham ido ao comício. Como iria descansar um dia na cidade, queria poder beber e conversar a noite toda, mas como a cidade esvaziou, fui dormir cedo.

19 de Setembro de 2004
Espera Feliz
Passei o dia descansando e dormindo.
Cuidando do meu pé, de algumas assaduras.Almocei e Jantei no AeroPizza.
Falaram-me que de Espera Feliz é possível ir direto para o Pico da Bandeira, dormindo na Casa Queimada.
Como no dia seguinte iria ter que ir até Alto do Caparaó, a caminhada mais puxada e com muitas subidas, resolvi ir dormir cedo.

20 de Setembro de 2004
Espera Feliz – Alto do Caparaó (35KM)
"Só os que caminham com passos firmes e persistência em busca de seus objetivos transformam suas utopias em realidade."

Acordei cedo, tomei o excelente café da manhã que o Hotel Pico da Bandeira servia. Fiz um lanche, peguei as bananas e maças.
Acertei a conta (R$25,00 c/ café). Passos Firmes até Alto do Caparaó. Não temos atrativos nesta caminhada, passando por diversas vilas, como Pedra Menina e algumas fazendas, fazendo desta caminhada muito cansativa.
Depois de 20km de reta e descida, chega-se em Caparaó. Uma cidade muito pequena. Fiquei pouco tempo.
Segui para Alto do Caparaó, onde começa uma terrível subida.
Alto do Caparaó
Cheguei às 19h em Alto do Caparaó.
A cidade inteira é subida, mas sempre vemos ao lado a Serra do Caparaó, dando uma visão linda.
Temos muitas opções de Pousadas na cidade, visto que é bem turística.
Fui subindo vendo as pousadas até quase chegar na portaria do Parque Nacional do Caparaó. Como já estava exausto, não tinha mais forças para descer na praça principal, onde tinha as Pousadas mais em conta. Resolvi ficar na Pousada do Bezerra, a pousada mais perto da entrada do Parque.
Jantei na Pousada e fui direto dormir, despencando na cama.
21 de Setembro de 2004
Alto do Caparaó
Acordei tarde, com a sola do pé doendo.
Resolvi passar o dia descansando para no dia seguinte subir o Pico da Bandeira.
Resolvi alugar um jipe para me levar até a Tronqueira, para depois subir a pé até o Terreirão e fazer a investida ao Pico.
A primeira facada foi o aluguel do Jipe, R$65,00 para levar e resgatar, bem chorado. Tinha combinado do jipe passar as 8 horas na Pousada.
Alto do Caparaó é um cidade simpática. A maioria são descendente de alemães. O único problema que eles estão tentando já viver do turismo, então o preço da cidade é bem diferente das cidades nas quais já tinha passado. Contudo, eles tem uma ótima infra-estrutura e tratam o turista super bem.
Passei esse dia descansando, sem sair da pousada, no máximo fui comprar um maço de cigarro em uma loja de conveniência que tinha logo abaixo a pousada e aproveitei para carimbar e pegar meu certificado de Caminhante da Luz.
Na loja de conveniência tinha ótimas recordações do Parque Nacional e uma variedade de equipamentos de montanhismo.
Aproveitei e comprei uma cachaça da boa para levar para São Paulo, quem quiser experimentar, está convidado (vem logo que está acabando).

22 de Setembro de 2004
Alto do Caparaó – Pico da Bandeira (16km)
"Somos feito da terra. Ela é nossa Mãe Comum! Todo respeito pela natureza. Ela é sagrada! Quem caminha, encontra energia cósmica a ponto de transpor as montanhas! Quem caminha, cresce na espiritualidade, adquire aquilo que é capaz de produzir uma verdadeira mudança dentro de nós!"
Sinceramente estava muito empolgado para subir o Pico da Bandeira. Tinha visto várias fotos na Pousada do cume do Bandeira. O Jipe chegou no horário combinado.
Me levou até a Tronqueira, de onde iniciei a caminhada até o Terreirão. Depois de 2 horas caminhando, cheguei ao Terreirão. Tomei uma água, comi umas barras de cereais, curti a visão, que é linda. O Terreirão é um ótimo lugar para acampar, com banheiro e um tapete de grama. Tomei coragem e comecei a investida ao cume do Bandeira. Com o grande aumento de altitude, comecei a sentir cansaço, ficar ofegante. Também acho que nunca tinha chegado tão alto, com os 2890 no cume. Chegando no cume, nem acreditava que tinha concluído o caminho. Estava lindo, com um dia bem quente, com uma paisagem deslumbrante. Aquele tapete de nuvens de um lado, do outro lado estava limpo. Rezei, agradeci ao Velhinho do Céu, que neste caminho, sempre acabamos em acreditar em sua força.
Fazendo o caminho sozinho, sempre acabamos nos questionando sobre diversas coisas, mas uma coisa que é inquestionável é a força Divina. Simplesmente, muda os nossos pensamentos e nossas crenças. Fiquei 30 minutos no Cume, pensando, sentindo a montanha, olhando para tudo, parecendo uma criança vendo as estrelas.
Depois comecei a sentir-me zonzo, enjoado, nunca tinha passado pelo "mal de montanha" e resolvi descer, não queria arriscar a passar mal lá em cima. Chegando na Pousada, todo feliz, uma pessoa renovada. Encontrei dois rostos conhecidos na Pousada, como esse mundo é pequeno. Era um casal de São Bernardo. Como precisamos de pouco para ser feliz, basta aproveitar o que Deus nos oferece.
Pedi a minha tradicional cerveja e comemorei essa nova fase e conquista. Pensando na Próxima Aventura.
Agradecimentos
A minha família que sempre me apoiou.
Ao Zé Wilton, Marcelo Gibson, Luiz Henrique Moreira, Albino Neves pelas dicas e pelo apoio.
Queria agradecer a toda Lista do Trekking e Travessias, são pessoas maravilhosas que me incentivaram na prática dessas loucuras, sempre com muita amizade e companheirismo.
Aos meus amigos e as pessoas que tiveram saco para ler esse relato até o fim.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo relato tão detalhado! Incrível que ninguém tenha comentado até agora...
    Que vc continue realizando grandes aventuras, sempre!

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  2. Adorei! espero viver esta aventura um dia, se deus quizer com meus filhos estamos sonhando com este momento. Deus te abençoe e que te conceda outras aventuras. Niane

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  3. Amei o seu relato e me servirá de apoio pois pretendo realizá-lo em julho próximo.Já escalei o Pico da Bandeira em 1998.Gosto de aventuras.
    Divertir-me muito, aperitivo da cobra, pinga,jacus etc.
    Não gostei da receptividade dos carangolenses, pois vivi 24 anos nesta cidade,atualmente em Ipatinga.
    Parabéns!!
    Ângela
    Ângela

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  4. Parabéns pelo relato, foi muito interessante, irei percorrer o caminho em julho, vou fazer o caminho solo e suas dicas serão valiosas.

    Obrigado

    Anderson Wiens

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    Respostas
    1. Boa Sorte Anderson! Percorri o caminho em 2004, as coisas devem ter mudado um pouco. Mas se precisar de qualquer dica, entre em contato.

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  5. O seu relato sobre a sua peregrinação no caminho da Luz é otima. Só não gostei do comentário sobre a cidade de Carangola. Infelizmente você deu azar com os atendentes do hotel, e não deu sorte também na escolha aonde comeu pizza. Existem restaurantes fantasticos lá. E você poderia ter experimentados os lanches dos trailers, porque é muito diferente dos lanches que paulistas estão acostumados a comer (Mc). Fora que você não comentou da hospitalidade de lá. Faltou você explorar mais essa cidade, porque assim iria se apaixonar por ela!

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